ALEXANDRE PADILHA SERÁ CONVOCADO NA CÂMARA PARA EXPLICAR LIGAÇÃO COM ENTIDADE CHINESA

Evair de Melo acionou CGU, TCU e PGR para investigar envolvimento do ministro com a China Hub Brasil

A atuação do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, como "presidente de honra" da associação China Hub Brasil gerou uma série de requerimentos e pedidos de investigação por parte do deputado Evair de Melo (Progressistas/ES). A suspeita de que a entidade estaria envolvida em possíveis casos de tráfico de influência, favorecimento e uso indevido de recursos públicos levou o parlamentar a acionar a Procuradoria-Geral da República (PGR), a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Tribunal de Contas da União (TCU). Além disso, o cargo pode ferir princípios fundamentais da administração pública, como moralidade e impessoalidade, colocando em xeque a lisura do governo petista.

“Isso não é apenas um caso de conflito de interesses, é um escândalo de proporções inaceitáveis! Um ministro de Estado não pode flertar com interesses privados e achar que isso não terá consequências. Esse tipo de conluio destrói a credibilidade do governo, transforma a máquina pública em balcão de negócios e coloca em xeque a confiança da população. A ética exige pulso firme, e eu não vou aceitar esse tipo de situação!” – denunciou Evair de Melo.

Convocação do ministro para esclarecimentos

O deputado federal Evair de Melo também apresentou o Requerimento nº 740/2025, na Câmara dos Deputados, solicitando a convocação do ministro Alexandre Padilha para prestar esclarecimentos sobre seu vínculo com a China Hub Brasil.

Segundo o documento, a associação, lançada oficialmente em março, conta com financiamento de grandes empresas chinesas, incluindo a gigante da tecnologia Huawei, a Mindray – fornecedora global de equipamentos médicos – e o Banco da China. O problema é que essas empresas possuem contratos e interesses diretos no governo brasileiro, especialmente no setor da saúde pública.

"O envolvimento de um ministro de Estado com uma entidade patrocinada por empresas com interesses comerciais no governo federal levanta sérias dúvidas sobre a ética na administração pública. É preciso saber se houve favorecimento indevido e se essa relação comprometeu a transparência na gestão dos recursos públicos", argumentou Evair de Melo.

Indicações à CGU e à PGR

Além da convocação de Padilha, o parlamentar também apresentou duas indicações: uma à Controladoria-Geral da União (INC 240/2025) e outra à Procuradoria-Geral da República (INC 239/2025), solicitando a instauração de um procedimento investigativo sobre a China Hub Brasil. Nos documentos, Evair de Melo cita reportagens da imprensa que indicam a possibilidade de tráfico de influência e desvio de recursos públicos para a entidade.

"Precisamos garantir que a administração pública não esteja sendo usada para atender interesses privados e estrangeiros", disse o deputado.

Solicitação de informações ao TCU

O parlamentar também apresentou uma Solicitação de Informação ao Tribunal de Contas da União (SIT 21/2025), cobrando esclarecimentos sobre eventuais repasses de recursos públicos à China Hub Brasil e a existência de contratos das empresas patrocinadoras da entidade com o Ministério da Saúde. O pedido inclui questionamentos sobre se a presença de Padilha na associação representa um conflito de interesses e quais medidas o TCU pretende adotar para garantir transparência na relação entre a entidade e o governo federal.

Entre os pontos solicitados, estão:

  • A existência de contratos diretos ou indiretos entre a China Hub Brasil e órgãos do governo federal;
  • A relação entre as empresas patrocinadoras da entidade e contratos públicos;
  • A possibilidade de influência do ministro em decisões do governo que beneficiem a associação.

Conflito de interesses e suspeitas de lobby

A China Hub Brasil foi criada com o objetivo de fortalecer as relações econômicas e comerciais entre empresas brasileiras e chinesas, promovendo parcerias e investimentos. No entanto, a proximidade do ministro Alexandre Padilha com a entidade levanta sérias suspeitas. Segundo informações divulgadas na imprensa, Padilha já teria participado de reuniões com representantes da Huawei e de outras empresas chinesas antes mesmo de assumir o Ministério da Saúde.

Além disso, o estatuto da associação prevê que seu financiamento virá de serviços prestados a empresas associadas, aplicações no mercado de capitais e parcerias público-privadas. Isso reforça as preocupações de que a entidade possa estar atuando como um canal de lobby para interesses estrangeiros dentro do governo brasileiro.

Confira na íntegra os documentos:

SIT 21/2025

REQ 740/2025

INC 240/2025

INC 239/2025