O Brasil foi um dos convidados a participar da reunião anual
realizada pelo Banco Mundial, que ocorreu nesta quinta-feira (15), por
videoconferência, para compartilhar as boas práticas realizadas pelo Governo
Federal durante a pandemia causada pela Covid-19. O Auxílio Emergencial foi
considerado um dos melhores e mais efetivos programas de transferência de renda
à população, e por isso se tornou referência internacional.
O secretário-executivo do Ministério da Cidadania, Antônio
José Barreto, foi escolhido para representar o Brasil e apresentar as políticas
públicas desenvolvidas pelo país para minimizar os efeitos da pandemia.
Representantes de Egito, Indonésia, Nigéria, Ruanda e Noruega também
participaram. A reunião ainda contou com a participação do presidente da
Divisão de Crescimento Global e Oportunidades da Fundação Bill e Melinda Gates,
Rodger Voorhies.
O Auxílio Emergencial, pago a 67,8 milhões de pessoas,
impactou mais da metade da população, chegando a 126,5 milhões de brasileiros.
Barreto destacou a agilidade do processo de construção da política pública
diante do avanço da pandemia no Brasil e a sua assertividade em chegar a quem
mais precisava.
“Não foi fácil a tomada de decisão. Sabíamos que
precisávamos atingir o maior número de pessoas e, para isso, estabelecemos um
modelo de rede de proteção e de transferência direta de recursos. Ousamos
apostar em um aplicativo para cadastrarmos o maior número de brasileiros e,
também, atualizarmos nossas bases de dados. De maneira inédita, começamos o pagamento
aos primeiros 10 milhões de brasileiros em apenas uma semana após o início
desta ação”.
Barreto ressaltou o investimento do governo brasileiro em
toda a rede de proteção social, que ultrapassou os 200 bilhões de reais em um
período de nove meses - intervalo de tempo mais crítico da pandemia no país.
Além do Auxílio Emergencial, o Governo Federal investiu em benefícios para o
capital de giro, criou programas de apoio às empresas para manter empregos e
ofereceu recursos extras para estados e municípios.
O deputado federal e vice-líder do governo na Câmara Evair
de Melo enfatizou que o auxílio emergencial ajudou inúmeras pessoas a se
manterem durante a pandemia. “A medida tomada pelo ministério da cidadania
mostra o quão o governo está preocupado com à população. A pandemia prejudicou
várias famílias que perderam seu sustento, viram seus negócios irem por água
abaixo, e essa ação do Governo foi mais uma prova que ninguém fica para trás, e
juntos vamos conquistar mais espaço, direitos e deveres para todos os cidadãos
brasileiros”, relatou o parlamentar.
Espírito Santo
A Fundação Getulio Vargas divulgou alguns dados que mostram
que no estado do Espírito Santo três municípios tiveram mais destaque em número
de pessoas que receberam o auxílio.
Segundo os dados de agosto do auxílio, 94.152 moradores de
Cariacica não tiveram nenhum tipo de restrição para o recebimento da
assistência, com valores a partir de R$ 600. Isso representa 24,52% da
população, hoje estimada em 383.917 habitantes.
Em termos proporcionais, a Serra fica em segundo lugar. Dos
527.240 moradores, 116.787 (22,14% da população) tiveram seus nomes aprovados
sem quaisquer tipos de restrição para que o auxílio chegasse às suas contas.
Vila Velha, por sua vez, teve 19,32% de seus cidadãos com
nome aprovado nessa assistência (96.884 de 501.325), enquanto em Vitória a
parcela foi de 17,01% (62.261 de 365.855).
Fusão de políticas
Durante a apresentação, o secretário ressaltou o uso da
tecnologia para a implementação de políticas públicas e afirmou que todos os
meios tecnológicos disponíveis foram utilizados para fazer o cruzamento de
dados e confirmar a entrega do benefício. A vice-presidente encarregada de
questões de desenvolvimento humano do Banco Mundial, Mamta Murthi, parabenizou
o Brasil pela iniciativa em inovação e destacou a efetividade do uso de um
aplicativo para mapear cidadãos de um país com proporções continentais.
Barreto citou também os próximos passos em relação a
políticas públicas sociais a serem implantadas em 2021, visto que o pagamento
do Auxílio Emergencial terá fim em dezembro deste ano. “A partir da nossa
experiência, estamos cientes de que o conjunto de políticas públicas se mostrou
mais eficiente com o uso da tecnologia, pois dessa maneira as políticas foram
mais focalizadas”, explica. “As 27 políticas públicas que temos serão fundidas
em um único modelo e seguiremos usando recursos tecnológicos para mapear cada
família e escolher qual a melhor política de emancipação, liberdade e apoio que
se adequa àquele perfil. Em vez de entregarmos apenas um recurso, entregaremos
uma plataforma. Dessa forma, as famílias beneficiadas terão um canal direto com
o governo brasileiro”, revela.
Efetividade em números
O Auxílio Emergencial do Governo Federal é apontado como
responsável por reduzir a pobreza em 23,7% no país. Mais de 15 milhões de
cidadãos saíram da linha da pobreza, ou seja, tiveram renda domiciliar per
capita maior que meio salário mínimo (R$ 522,50). Além disso, o benefício foi
capaz de evitar que 23,5 milhões de cidadãos entrassem nessa condição.
Os dados da PNAD Covid-19 do IBGE indicam que o valor médio
do Auxílio Emergencial por domicílio foi aumentando mês a mês e chegou a R$ 901
por residência em agosto. O Brasil se destaca como um dos países que implantou
medidas de apoio a trabalhadores informais, de crescimento horizontal (mais
beneficiários) e vertical (aumentando o valor do benefício) de programas
sociais de transferência de renda.
O governo brasileiro analisou mais de 153 milhões de cadastros, o que representa 72,5% da população. O investimento do Governo Federal para contemplar os 67,8 milhões de elegíveis é superior a R$ 223 bilhões.
*Com informações - Ministério da Cidadania