A Câmara dos
Deputados aprovou nesta terça-feira (23) o Projeto de Lei 5043/20, do deputado
Dagoberto Nogueira (PDT-MS) e outros oito deputados, que amplia o número de
doenças rastreadas pelo teste do pezinho, realizado com a coleta de gotas de
sangue dos pés do recém-nascido. Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS)
realiza um teste que engloba seis delas. A proposta será enviada ao Senado.
O projeto foi
aprovado na forma do substitutivo da relatora, deputada Marina Santos
(Solidariedade-PI). Segundo o texto, o exame passa a englobar 14 grupos de
doenças de forma escalonada, em prazo a ser fixado pelo Ministério da Saúde. As
mudanças feitas pelo projeto entrarão em vigor somente 365 dias após sua
publicação.
Para Evair de Melo,
deputado federal e vice-líder do governo na Câmara, a aprovação da PL do
pezinho, como ficou conhecida, é um importante passo para a melhoria da
qualidade de vida das crianças nascidas no Brasil. “Com os avanços da ciência,
testes importantes como esse estão ficando cada vez mais baratos e permitem
maiores investimentos do governo. Esse projeto é extremamente importante, pois
quanto mais precocemente as doenças forem identificadas, as chances de
tratamento serão maiores e mais eficazes”, afirmou.
As doenças testadas hoje são:
Fenilcetonúria – provoca
comprometimento do desenvolvimento neuronal;
Hipotireoidismo congênito –
alteração na tireoide que pode interferir no desenvolvimento e provocar retardo
mental;
Anemia falciforme – alteração
nas células vermelhas do sangue que reduz a capacidade de transportar oxigênio;
Hiperplasia adrenal congênita –
provoca deficiência hormonal levando a crescimento excessivo, puberdade precoce
ou outros problemas físicos;
Fibrose cística – provoca
produção excessiva de muco, comprometendo o sistema respiratório e afetando o
pâncreas; e
Deficiência de biotinidase –
provoca a incapacidade de o organismo reciclar a biotina (vitamina B7), levando
a convulsões, falta de coordenação motora e atraso no desenvolvimento.
Na primeira etapa
de implementação do projeto, está prevista a continuidade de detecção das
atuais doenças, ampliando para o teste de outras relacionadas ao excesso de
fenilalanina e de patologias relacionadas à hemoglobina (hemoglobinopatias),
além de incluir os diagnósticos para toxoplasmose congênita.
Na segunda etapa,
serão acrescentadas as testagens para galactosemias; aminoacidopatias;
distúrbios do ciclo da uréia; e distúrbios da beta oxidação dos ácidos graxos
(deficiência para transformar certos tipos de gorduras em energia).
Outras etapas
Para a etapa 3,
ficam as doenças lisossômicas (afeta o funcionamento celular); na etapa 4, as
imunodeficiências primárias (problemas genéticos no sistema imunológico); e na
etapa 5 será testada a atrofia muscular espinhal (degeneração e perda de neurônios
da medula da espinha e do tronco cerebral, resultando em fraqueza muscular
progressiva e atrofia).
Ampliações futuras
Além disso, o texto
determina que o regulamento, a ser revisado anualmente, deverá especificar a
lista de doenças rastreadas pelo teste em cada um dos grupos listados no
projeto, que muda o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90).
Para isso, o órgão
deverá se basear em evidências científicas, considerando os benefícios do
diagnóstico e do tratamento precoces, além de priorizar as doenças com maior
prevalência no Brasil, com protocolo de tratamento aprovado e tratamento
incorporado no SUS.
Pré-natal
Durante os
atendimentos de pré-natal e de trabalho de parto, os profissionais de saúde
deverão informar à gestante e acompanhantes sobre a importância do teste do
pezinho e sobre eventuais diferenças existentes entre as modalidades oferecidas
no SUS e na rede privada de saúde.
*Com informações da
Agência Câmara de Notícias