“O Brasil precisa tomar uma atitude, precisamos utilizar o
que temos em território nacional ou vamos sofrer gravemente no futuro”, essas
palavras são do deputado federal, vice-líder do governo na Câmara e
vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Evair de Melo ao se
dirigir na audiência realizada com o setor produtivo do agronegócio Capixaba
virtualmente.
A reunião que aconteceu na tarde de sexta-feira (04/03)
contou com a participação de diversas entidades capixabas e lideranças do agro
e cooperativismo, com o principal objetivo de discutir os efeitos da crise dos
fertilizantes no Estado do Espírito Santo e apresentar, posteriormente, ao
Comitê de Crise criado pelo Ministério da Agricultura e o Ministério de Minas e
Energia, as contribuições para subsidiar decisões. O parlamentar Evair de Melo
aproveitou a ocasião para anunciar que terá uma reunião com a Ministra da
Agricultura Tereza Cristina na quarta-feira (09/03) para o alinhamento das
demandas.
“Estamos reunidos nesta tarde pois o momento atual nos faz
refletir sobre os três temas que mais assolam a humanidade: o primeiro é a
peste como vivemos na pandemia; o segundo é a guerra a exemplo do que está
acontecendo entre a Rússia e Ucrânia e; o terceiro é a fome. Estes são os principais
motivos que nos impulsionam a discutir as tomada de decisões urgentes a fim minimizar
os impactos da crise”, declarou Evair ao iniciar a reunião.
O governo federal está trabalhando ativamente para que as
soluções eficientes sejam imediatamente aplicadas diante dos problemas postos.
“O Brasil precisa escolher, precisamos utilizar o que temos dentro de casa para
não depender totalmente dos outros”, disse o deputado federal e vice-presidente
da Frente Parlamentar da Agropecuária.
O presidente da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras)
Nacional, Márcio Lopes esteve na reunião e falou sobre o papel que a
instituição vem desempenhando nos últimos dias. “Estive reunido com a Ministra
da Agricultura Tereza Cristina onde discutimos meios de não deixar nossos
produtores desamparados, estamos preocupados, mas, agindo para que todas as
medidas sejam tomadas. Agradeço ao Evair por nos prestigiar esse momento,
porque é de extrema importância levantarmos essa discussão e procurar a solução”,
disse Márcio Lopes.
Com preocupação, todas as demais entidades e lideranças falaram
sobre as suas impressões e de como em poucos dias as mudanças são visíveis. Para
Leonardo Torres representante da Cedagro e da ‘Fertilizantes Heringer’ são dois
os fatores que vem preocupando o setor. “Temos duas coisas que vem preocupando
bastante, 1º a logística e 2º o pagamento. Temos a carga, temos o fertilizante,
mas, não temos a logística para que cheguem até nós e nem como pagar pelas
questões burocráticas que envolvem a região no momento. O preço é uma incógnita
para nós, pois muda constantemente, tendo uma escalada”, frisou Leonardo.
O diretor executivo da Ases/Aves (Associação de Suinocultura
e Avicultura), Nélio Hand, relatou como o mercado de proteína animal já vem
sofrendo algumas mudanças em uma semana de conflito. “Nesta semana já tivemos
um aumento no preço do milho, uma saca antes vendida a R$100 reais está
chegando já a R$108/R$110 reais e a tendência é de que esse valor só aumente
nos próximos dias. Esse fator vai gerando uma dificuldade de abastecimento
internamente, precisamos de cautela e cuidado nesse momento para manter nossa
produção e atendimento ao requerente final, o consumidor”, declarou Nélio.
Evair de Melo explicou a situação e frisou que todos os pontos
serão levados por ele ao Comitê na próxima terça-feira (08/03) onde pretende
retornar com repostas aos setores.
Estavam participando da reunião: Brapex (Associação
Brasileira dos Produtores e Exportadores de Papaya); Cedagro (Centro de
Desenvolvimento do Agronegócio); COOCAFÉ;
Coopeavi (Cooperativa Agropecuária Centro Serrana); CCCV (Centro
do Comércio de Café de Vitória); Sicoob (Sistema de Cooperativas de Crédito do
Brasil); Sicredi (Sistema de Crédito Cooperativo); Agricultura Forte; Cooabriel;
Organização das Cooperativas Brasileiras/ES e Nacional; UNIAVES; ASES/AVES
(Associação de Suinocultura e Avicultura);
Senar; OCB Nacional; CACAL; Incaper; Assoc Cacau; Sindicato
Vni.
Evair de Melo vem
discutindo a ação para conter os danos causados pelo conflito internacional
A guerra entre a Rússia e Ucrânia trouxe à tona a discussão
da dependência brasileira por matérias-primas de fertilizantes provenientes do
exterior, principalmente países europeus. De acordo com o vice-presidente da
Frente Parlamentar de Agropecuária e integrante da Comissão de Agricultura,
deputado Evair de Melo, o governo federal tem tratado a produção própria como
prioridade. Ele disse que o governo busca soluções para a adequação de leis,
questões tributárias e licenças ambientais, para que o Brasil seja
autossuficiente.
O deputado federal é um dos maiores articuladores políticos
quando o assunto é a produção em abundância dos insumos em solo nacional. Em
2019, Evair de Melo apresentou requerimento de audiência pública para debater a
produção, abastecimento e a reabertura das fábricas de fertilizantes, por já
estar preocupado com a dependência brasileira por nitrogenados, fosfatados e
potássicos vindos da Europa.
Diante da incerteza da duração do conflito internacional no
Leste Europeu e do estoque de fertilizantes contado, com duração prevista até a
próxima safra, em outubro, o deputado federal relembrou a importância de
projetos de lei que proporcionam maior autonomia e eliminam as barreiras que
impedem o país de produzir insumos em abundância.
“É montar um grande grupo de trabalho, firmar um pacto entre
os Poderes Judiciário e Executivo, para que o Brasil possa implementar o mais
rápido possível uma política para destravar a produção de fertilizantes no
mercado interno", disse.
Evair de Melo é coautor do projeto de lei que poderá amenizar
os estragos causados pela crise de fertilizantes. O PL 3.507/21 cria o Programa de
Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (PROFERT) e visa a implantação,
ampliação e modernização de infraestrutura para produção de fertilizantes a
médio e longo prazo.
De acordo com ele, “as políticas de incremento foram criadas
para aumentar a competitividade da produção e da distribuição de insumos e de
tecnologias para fertilizantes no País”.
O deputado federal acredita que as articulações
internacionais com novos fornecedores, como Canadá, Irã e Arábia Saudita,
propostas pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina, são soluções
emergenciais importantes e necessárias. Mas, Evair de Melo também se preocupa
com os impactos que a crise global pode causar no principal setor da economia
brasileira, o agro.
“Não é só alimento na mesa do brasileiro, este assunto
impacta diversos ramos da economia. O Brasil sem produção de alimentos e sem
fertilizantes não é um país soberano. Um dos nossos grandes exércitos é a
produção agropecuária”, argumentou o parlamentar capixaba.