Um
diagnóstico técnico sobre a situação do Brasil e do mercado internacional e a
apresentação das diretrizes, metas, alternativas e ações estratégicas do Plano
Nacional de Fertilizantes (PNF), para diminuir a dependência do Brasil das
importações de nutrientes minerais, produtos e insumos utilizados nas lavouras.
Estes foram os principais objetivos da reunião virtual promovida pelo vice-líder
do Governo na Câmara, deputado Evair de Melo, na manhã desta quarta-feira (16).
A pauta do encontro não se limitou ao debate sobre a crise dos fertilizantes e,
sim, ao compartilhamento de informações específicas e ao esclarecimento de
dúvidas acerca do Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), lançado pelo Governo
Federal no último dia 11.
Quem
fez a apresentação do PNF durante esta videoconferência foi um dos técnicos
mais bem preparados do país para falar sobre o assunto: o Diretor de Programa
do Ministério da Agricultura (MAPA), Luis Rangel, que já atuou como titular da
Secretaria de Defesa Agropecuária do MAPA e que participou ativamente da
elaboração do Plano Nacional de Fertilizantes, juntamente com técnicos de mais
nove ministérios.
A convite de
Evair, que também é vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária
(FPA), Luis Rangel fez uma exposição clara e objetiva sobre o tema e iniciou
sua participação no encontro relatando o histórico de todo o processo de
concepção e criação do Plano Nacional de Fertilizantes, documento que contém
176 páginas e que reúne 80
metas e 130 ações. De acordo com Rangel, o PNF não pretende
tornar o Brasil autossuficiente na produção de fertilizantes, mas transformar a
indústria brasileira do setor, que estava estagnada, em uma indústria
competitiva, capaz de reduzir as importações de fertilizantes pelo Brasil.
FOCO NA CADEIA PRODUTIVA
“O
Plano Nacional de Fertilizantes mantém seu foco nos principais elos da cadeia
produtiva: indústria tradicional, produtores rurais, cadeias emergentes, novas
tecnologias, uso de insumos minerais, inovação e sustentabilidade ambiental. O documento também institui o Conselho Nacional de
Fertilizantes e Nutrição de Plantas, órgão consultivo e deliberativo que deverá
iniciar seus trabalhos dentro de poucos dias, com a meta de coordenar e
acompanhar a implementação do PNF no país. Além do enfrentamento dos
gargalos logísticos que estão dificultando a importação de fertilizantes, há outros
esforços empreendidos pelo Governo Federal, para ampliar o alcance das ações de
diplomacia de insumos, a fim de minorar o impacto desta crise no agronegócio
brasileiro”, explicou Luis Rangel.
E ele
completou: “O PNF busca readequar o equilíbrio entre a produção nacional e a
importação de fertilizantes, para conseguir atender à crescente demanda por
produtos e tecnologias. Até o ano 2050, o plano pretende diminuir de 85% para
45%, a dependência brasileira de importações de fertilizantes produzidos na Rússia, Bielorússia, Ucrânia, China, Canadá, Marrocos,
Estados Unidos, Catar, Israel, Egito e Alemanha, que são os maiores
fornecedores de fertilizantes para o Brasil”.
PRINCIPAIS OBJETIVOS
DO PNF
Entre
os principais objetivos estratégicos do Plano Nacional de Fertilizantes, cinco
foram destacados durante a reunião virtual promovida pelo deputado Evair de
Melo:
1
- Modernizar, reativar e ampliar plantas e projetos de fertilizantes existentes
no Brasil;
2
- Melhorar o ambiente de negócios para atração de investimentos para a cadeia
de fertilizantes e nutrição de plantas;
3 - Promover vantagens competitivas na cadeia de produção nacional de
fertilizantes para melhorar o suprimento do mercado brasileiro;
4 - Ampliar os investimentos em pesquisa e no desenvolvimento da cadeia de
fertilizantes e nutrição de plantas do Brasil;
5 - E adequar a infraestrutura para integração de polos logísticos e
viabilização de empreendimentos.
CONTRIBUIÇÕES DA EMBRAPA
O
diretor de Programa do Ministério da Agricultura, Luis Rangel, informou que técnicos
da Embrapa também vão ajudar o Brasil neste momento. “A partir de abril,
pesquisadores e técnicos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária começam
a visitar cerca de 30 polos produtivos de nove macrorregiões agrícolas do país,
com o objetivo de promover o aumento da eficiência no uso de fertilizantes e
insumos, no campo. Esta iniciativa busca baratear os custos de produção e
estimular a adoção de novas tecnologias para um manejo mais eficaz do solo, da água
e da lavoura. A economia, com isso, pode chegar a R$ 5 bilhões na próxima safra”,
adiantou.
Conforme
Rangel, a Embrapa quer mostrar a importância do manejo sustentável do solo e
dos fertilizantes, para maximizar o uso de insumos e melhorar a produtividade.
“A gente aprende na agronomia que é preciso fazer a aplicação de adubo de
acordo com a análise de fertilidade do solo e a análise da folha da planta.
Essas questões práticas e de impacto imediato, ao serem adotadas, poderão
promover uma economia de até 20% no uso dos fertilizantes no Brasil, já na
safra 2022/23”, ressaltou ele.
CAPACITAÇÃO TÉCNICA E TROCA DE
CONHECIMENTOS
Por sua vez, o deputado Evair de Melo adiantou que o objetivo do Ministério da
Agricultura é ajudar o Brasil a superar a crise dos fertilizantes por meio da
capacitação técnica e da troca de conhecimentos sistematizados entre os
institutos de pesquisa e o setor produtivo. “Estabelecer e estreitar o diálogo
da pesquisa com o agronegócio no Brasil é vital para a busca de soluções
tecnológicas para cada um desses 30 polos agrícolas que a Embrapa visitará”,
defendeu o parlamentar.
Evair
também lembrou que, além das orientações aos produtores, a caravana da Embrapa
fará um diagnóstico do setor para aprimorar as ações do Plano Nacional de
Fertilizantes. “A estimativa é que a Embrapa receba, para atividades
presenciais, cerca de 10 mil multiplicadores, entre técnicos de extensão rural,
técnicos de cooperativas, sindicatos e associações e produtores rurais”.
MERCADO INTERNACIONAL É DOMINADO POR POUCOS FORNECEDORES
Durante
a videoconferência promovida pelo deputado Evair de Melo, com a participação do
diretor de Programa do MAPA, Luis Rangel, ficou evidenciado o elevado nível de
dependência do Brasil, de um mercado internacional dominado por poucos
fornecedores. De acordo com dados da
Associação Nacional para Difusão de Adubos, mais de 85% dos fertilizantes utilizados
no país são importados. “Essa dependência crescente deixa a economia
brasileira, fortemente apoiada no agronegócio, vulnerável às oscilações do
mercado internacional de fertilizantes”, avaliou ele.
Rangel
também destacou que, atualmente, o Brasil ocupa a 4ª posição mundial com pouco
mais de 8% do consumo global de fertilizantes, sendo o potássio o principal
nutriente utilizado pelos produtores nacionais (38%). Na sequência, aparecem o
fósforo (com 33% do consumo total de fertilizantes), e o nitrogênio (com 29%).
Juntos, esses nutrientes formam a sigla NPK, tão utilizada no meio rural.
Dentre as culturas que mais demandam o uso de fertilizantes estão a soja, o
milho e a cana-de-açúcar, somando mais de 73% do consumo nacional.
FOMENTO À INDÚSTRIA E À PRODUÇÃO NACIONAL
Luis
Rangel – que também apresentou um diagnóstico da dependência do Brasil de
produtos nitrogenados e de cloreto de
potássio, ureia e fósforo, entre outros – informou que o país possui jazidas em
Sergipe, no Amazonas, Minas Gerais e que novas jazidas já estão sendo
identificadas e mapeadas, em outros estados, para fins de extração. De acordo
com ele, o Governo não vai criar a “Adubobras” e nem garantir aporte financeiro
para fomentar a ampliação da produção nacional, mas vai atrair investidores da
iniciativa privada com benefícios tributários, que vão incentivar a retomada da
indústria nacional de fertilizantes.
PROFERT
Ao
longo da videoconferência, também ganhou destaque a importância estratégica do Projeto de Lei 3507/21, que institui o Programa
de Desenvolvimento da Indústria de
Fertilizantes (PROFERT), do qual o deputado Evair de Melo é
coautor. A matéria tramita na
Câmara e se baseia na concessão de incentivos fiscais para estimular a
produção nacional. “Este programa beneficiará bastante os produtores brasileiros, ao viabilizar a
implantação, ampliação e modernização de
unidades de produção de fertilizantes e insumos no Brasil, para abastecer o
mercado interno”, explicou Evair.
Evair
informou que, para o PROFERT alcançar bons resultados, é necessário suspender o
pagamento da contribuição para PIS/Pasep, PIS/Pasep-Importação, Cofins,
Cofins-Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), IPI vinculado
à importação e Imposto de Importação (II). Segundo o deputado, a suspensão
dos tributos será convertida em alíquotas zero ou isenção, conforme o caso, e este conjunto de metas tributárias será determinante para
aumentar a competitividade da industria brasileira e para diminuir a diferença
entre produtos importados e nacionais.
“Em 2021, o Brasil importou 44 milhões de toneladas de
fertilizantes e insumos, o que demandou um fluxo logístico enorme. A
Rússia é responsável por fornecer 25% dos fertilizantes para o Brasil e, junto
com a Bielorrússia, chega a fornecer mais de 50% de todo o potássio consumido
pelo agricultor brasileiro, anualmente. “Precisamos mudar este quadro,
independentemente da atual crise internacional”, disse o vice-presidente da
Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Evair de Melo.
COMPARTILHAMENTO DE
INFORMAÇÕES
Evair
encerrou o encontro virtual dizendo que a ideia deste “meeting” não foi o debate, mas o compartilhamento de informações
fidedignas acerca do que o Governo Federal vem fazendo para reduzir o impacto
do conflito Rússia X Ucrânia, no agronegócio brasileiro. A videoconferência
contou com a participação de mais de 100 convidados e representantes do
agronegócio capixaba, sendo a maioria da iniciativa privada.
Além
das cooperativas, associações e entidades do setor, participaram da reunião:
produtores de café e mamão, sindicatos rurais de vários municípios, empresas de
laticínios, pecuaristas, fabricantes de máquinas e implementos, proprietários
de estabelecimentos que comercializam insumos agrícolas, empresários do
agronegócio e dirigentes da Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito
Santo.
A videoconferência contou, ainda, com representantes da BRAPEX (Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Papaya); INCAPER (Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural); CEDAGRO (Centro de Desenvolvimento do Agronegócio); e COOCAFÉ (Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Lajinha/MG). Também participaram: COOPEAVI (Cooperativa Agropecuária Centro-Serrana); CCCV (Centro do Comércio de Café de Vitória); COOABRIEL (Cooperativa Agrária de Cafeicultores de São Gabriel); OCB/ES e OCB Nacional (Organização das Cooperativas do Brasil); SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) e, ainda, Associação Cacau; Sindicato VNI; UNIAVES, CACAU, SELITA; HERINGER; SICREDI SUL/ES e AGRICULTURA FORTE.