Para
fazer frente ao desafio encontrar soluções que possam tornar o Brasil menos
dependente de outros países, para a compra dos fertilizantes usados no fomento
da produção agrícola nacional, o vice-líder do Governo na Câmara, deputado
Evair de Melo (PP-ES), realizou uma reunião virtual com a Ministra da
Agricultura Teresa Cristina, na tarde desta quarta-feira (09).
Durante a
videoconferência, a ministra atualizou informações sobre as ações do Governo
Federal envolvendo o Ministério da Agricultura e outros nove ministérios, que
trabalham de forma integrada no enfrentamento dos gargalos logísticos que
ameaçam a importação de fertilizantes e, ainda, sobre os esforços empreendidos na
busca de alternativas para garantir a realização de operações financeiras internacionais.
“Em face do
cenário temerário que se apresenta, nossa meta é apontar soluções que possam reduzir
os impactos econômicos, no agronegócio brasileiro, que aumentam mais a cada
dia, devido ao conflito entre Rússia e Ucrânia. Já discutimos o assunto com
todos os segmentos e entidades do setor, adotamos medidas de curto, médio e
longo prazos, e estamos implementando iniciativas que darão maior tranquilidade
aos produtores brasileiros”, informou Teresa Cristina.
PRINCIPAIS MEDIDAS
Ao
longo da reunião, foram apresentadas propostas que poderão ajudar a manter o
nível da produção agrícola nacional, diminuir a dependência brasileira de
importações de fertilizantes e evitar um colapso no estoque dos produtos, no
Brasil. De acordo com a ministra, este estoque pode abastecer o mercado interno
por cerca de três meses. Confira as principais medidas sugeridas pelo
Ministério da Agricultura, para a gestão desta crise:
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A aprovação de três matérias importantes pelo Congresso Nacional: o PL 3507/21, que institui o Programa de Desenvolvimento da Indústria de
Fertilizantes (PROFET), o PL 190/20, que dispõe sobre a extração de insumos
e a MP 790, que trata do regime especial para
exploração e aproveitamento de substâncias minerais.
-
A retomada da produção de fósforo e potássio no Brasil, a partir da captação de
investidores da iniciativa privada;
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O mapeamento da qualidade do solo, pela Embrapa, nos estados que mais produzem
alimentos no país, visando ao uso racional de fertilizantes nas regiões mais
férteis e produtivas;
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A realização de parcerias com indústrias do Canadá e dos países árabes; com o
objetivo de comprar fertilizantes e princípios ativos para suprir as
necessidades de abastecimento do mercado nacional;
-
A intensificação de estudos e o incentivo à produção de biofertilizantes no
Brasil;
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E a consolidação de um acordo mundial para a proibição de sanções e restrições
ao comércio de fertilizantes e de insumos utilizados na produção de alimentos,
durante conflitos internacionais e crises diplomáticas.
IMPORTÂNCIA DO PROFET
De
acordo com o deputado Evair, coautor do PROFET,
o programa se baseia, principalmente, em incentivos fiscais para estimular a
produção de fertilizantes no Brasil. “Segundo a Associação Nacional para
Difusão de Adubos, os produtores brasileiros precisam fortemente de outros
países para terem, no campo, o fosfato, o cloreto de potássio, a ureia e outros
itens considerados indispensáveis à produtividade das lavouras”, disse ele.
GRUPO REPRESENTATIVO
A
reunião virtual realizada pelo deputado Evair de Melo, que também é
vice-presidente da Frente Parlamentar da Agricultura (FPA), contou com a presença
de vários representantes de entidades, cooperativas, associações e empresas do setor,
que atuam ativamente na agricultura capixaba. Participaram do encontro
representantes das seguintes instituições:
BRAPEX
(Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Papaya); INCAPER (Instituto Capixaba de
Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural); CEDAGRO (Centro de
Desenvolvimento do Agronegócio); COOCAFÉ (Cooperativa
dos Cafeicultores da Região de Lajinha/MG); COOPEAVI (Cooperativa Agropecuária Centro-Serrana);
CCCV (Centro do Comércio de Café de Vitória);
COOABRIEL (Cooperativa Agrária de
Cafeicultores de São Gabriel); OCB/ES e OCB Nacional (Organização das Cooperativas do Brasil);
SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural)
e, ainda, Associação Cacau; Sindicato VNI; UNIAVES, CACAU, SELITA;; HERINGER;
SICREDI SUL/ES e AGRICULTURA FORTE.
SINAIS DE ALERTA
Em seu
relato, na videoconferência, a ministra fez um resumo dos problemas já
existentes anteriormente, que se agravaram e que acenderam uma luz de alerta no
Governo Federal, devido ao risco de crise no abastecimento do Brasil. Além do
conflito entre Rússia e Ucrânia, que culminou nesta crise, Teresa Cristina
citou alguns exemplos, começando com as paralizações
e a redução das atividades de produção de fertilizantes na China, devido, principalmente,
ao valor absurdo da energia elétrica e à consequente crise energética que se
abateu sobre aquele país.
“Os chineses, maiores produtores mundiais de nitrogenados e fosfatados,
respondem por 29% a 39%, respectivamente, do volume global produzido. Além
disso, a China é o segundo maior fornecedor de nitrogenados para o Brasil, responsável
por 20% do total importado pelo nosso país”, informou a ministra.
Segundo ela, outro sinal de alerta para a crise dos
fertilizantes, identificado pelo Ministério da Agricultura, foi o incidente
ocorrido na Bielorrússia, em maio do ano passado, quando líderes dos 27 países da União Europeia (UE) exigiram a libertação
imediata do opositor político Roman Protasevich, detido depois que o avião
civil em que viajava foi forçado a aterrissar em Minsk.
“A Bielorrússia responde por 23% do potássio que
o Brasil importa para uso na produção agrícola. E por causa deste incidente
ocorrido em Minsk, o país acabou sofrendo sanções internacionais que
prejudicaram significativamente a logística e o comércio do produto”, lembrou a
ministra, que também esteve na Rússia, em 2021, para tentar garantir o
fornecimento regular e contínuo de ureia, para o Brasil. Teresa Cristina se
reúne com diplomatas árabes, nesta quinta-feira, para tentar negociar o
fornecimento de ureia para o Brasil. E no próximo sábado (12), ela viaja para o
Canadá em busca de novos acordos comerciais com indústrias de fertilizantes e
insumos.
OUTRAS SUGESTÕES
Ao final do encontro virtual com o deputado Evair
de Melo e representantes do agronegócio capixaba, o presidente OCB, Márcio
Freitas, sugeriu à Ministra da Agricultura que adote medidas para assegurar a
integração de cooperativas do agronegócio, que atuam em vários países do mundo.
Ele também solicitou providências no sentido de provocar um debate
internacional sobre a necessidade de um acordo entre os países, para evita que,
durante incidentes e conflitos internacionais, ocorram restrições comerciais e
sanções econômicas que possam prejudicar o fornecimento de fertilizantes e
insumos, que são essenciais à produção de alimentos.
REUNIÃO COM AUTORIDADES DA FAO
Antes de encerrar sua participação nesta reunião
virtual, a Ministra da Agricultura Teresa Cristina convidou o deputado Evair de
Melo para participar de uma reunião com a cúpula da
Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) e com representantes
do Canadá, Estados Unidos, México e países da América Central e América do Sul.
Segundo ela, o objetivo deste encontro – no próximo dia 16 – é discutir e
propor, à Organização das Nações Unidas (ONU), uma agenda mundial para evitar
restrições à produção e comercialização de alimentos no mundo, durante
situações de excepcionalidades, como a que acontece hoje.
A FAO é uma agência especializada
da ONU que lidera esforços internacionais para erradicar a fome no mundo. Ao
todo, 194 países são membros desta organização, que trabalha em sinergia pela erradicação
da fome.