Agricultura movida
a ciência. A missão que move a Embrapa há 48 anos, marca celebrada na última
segunda-feira, 26 de abril, tem gerado resultados excepcionais para o setor
agrícola do Brasil. Segundo dados apresentados pelo presidente da empresa,
Celso Moretti, a empresa é a responsável por dobrar a produção de café nos
últimos vinte anos, além de colecionar resultados ainda mais surpreendentes nas
últimas quatro décadas.
Entre os resultados
alcançados pela empresa nos últimos quarenta anos estão o aumento de 509% na
produção de grãos com elevação de duas vezes na área plantada; o aumento em
sete vezes da produção de leite; sessenta vezes a produção de carne de frango;
100% de rebanho bovino (com diminuição relativa da área de pastagem); 140% da
produtividade do setor florestal; 240% a produção de trigo e milho e 315% a
produção de arroz.
O Brasil é uma
referência em ciência, tecnologia e inovação, se consolidando como um dos
líderes mundiais na produção de alimentos. Atualmente, mais de 20% do Produto Interno
Bruto (PIB) do país tem origem no esforço e ações provenientes da pesquisa e do
campo.
Para Evair de Melo,
deputado federal e vice-líder do governo na Câmara, o papel da Embrapa é
fundamental neste cenário. “Hoje, mais do que nunca, sabemos que a pesquisa e
inovação tecnológica são o caminho para o crescimento no campo. Para alcançar o
potencial máximo desse setor é preciso estudá-lo e, acima de tudo, criar
soluções que atendam as demandas dos produtores. A Embrapa é uma empresa
essencial, oferecendo um trabalho de excelência que vem mudando os rumos da
agricultura no país”, afirmou.
Novos objetivos e atuação durante a pandemia
Em meio a pandemia
da Covid-19, que traz um cenário incerto para a pesquisa agropecuária, a
Embrapa mantém o foco em alcançar novas metas. O VII Plano Diretor da Embrapa
(PDE), que reúne as metas quantificáveis da organização, apresenta oito áreas
prioritárias da pesquisa e três na gestão organizacional e estratégica.
Os esforços serão
ampliados nas áreas de agricultura digital, bioeconomia, inteligência
territorial, mudança no clima, sanidade agropecuária, desenvolvimento
territorial com inclusão produtiva, sustentabilidade com competitividade,
consumo e agregação de valor aos produtos do agronegócio. Já na gestão organizacional,
o foco da Embrapa consistirá na modernização, buscando o aumento da eficiência
e a racionalização de custos.
Entre os
compromissos para o futuro da empresa, presentes no PDE, estão a ampliação em
mais de 10 milhões de hectares das áreas com plantios de sistemas integrados
até 2025 (hoje a área estimada com ILPF é de 17 milhões) e o aumento em 1
milhão de hectares da área de florestas plantadas com sistemas de produção até
2030, além do aumento em 10% dos benefícios econômicos de produtores que utilizam
o Zoneamento de Risco Climático (Zarc) para o plantio.
Mesmo durante a
crise sanitária decorrente do novo coronavírus, a atuação da Embrapa se mantém.
Com a necessidade de se reinventar neste período, seguindo protocolos de
segurança, a empresa permanece com mais da metade dos empregados trabalhando
remotamente.
Para que projetos
não fossem inviabilizados, pesquisadores e suas equipes, mesmo com o isolamento
social e a necessidade de implantação das escalas de revezamento, criaram
formas de preservar o trabalho no campo e nos laboratórios. Experimentos
necessitavam de acompanhamento muitas vezes diário, sob o risco de serem
perdidos anos de dedicação. Neste período foram realizados mais de 40 cursos a
distância, oferecidos por 25 UDs, que registraram mais de 400 mil inscrições.
Cafeicultura
A cafeicultura, uma
das principais atividades agrícolas do Brasil, também tem destaque na atuação
da Embrapa. Os esforços da empresa no setor, que resultaram na duplicação da
produção do grão no país nos últimos vinte anos, conta com a colaboração de 49
profissionais: são 25 pesquisadores (engenheiros agrônomos e agrícolas,
biólogos, entre outras especializações); 19 analistas (engenheiros agrônomos e
agrícolas, economistas, jornalistas, publicitários, administradores e
contadores); 3 técnicos; e 2 assistentes de nível médio.
No ano de 2019 a
organização executou 95 projetos de pesquisas ligados à cafeicultura, inseridos
em desafios de inovação como o aproveitamento de cafés de qualidade inferior
para o desenvolvimento de novos produtos e embalagens e o aperfeiçoamento de
máquinas e técnicas de cultivo para mecanização da cultura do café em montanha,
entre muitos outros.
Entre as
contribuições de maior destaque está o CoffeeClass, um sistema
inteligente para aferição da qualidade global do café torrado e moído. O
programa atua por meio de visão computacional e inteligência artificial que,
acoplado a microscópios digitais portáteis, é capaz de reconhecer padrões
característicos do café torrado e moído, quantificá-los e correlacioná-los com
as classes ordinais da qualidade global – não recomendável, tradicional,
superior ou gourmet.
Por ser uma solução
tecnológica de operação simples e de custo acessível, o CoffeClass pode ser
utilizado em diversas etapas do processo de qualificação e certificação do café
torrado e moído, auxiliando toda a cadeia de valor do produto. Dentre os potenciais
públicos, estão: produtores, cooperativas, torrefadores, exportadores,
revendedores e consumidores finais.