Deputado Federal e
vice-líder do governo na Câmara, Evair de Melo apresentou na última
quinta-feira (24) um requerimento de audiência pública, na Comissão de Finanças
e Tributação na Câmara dos Deputados. O requerimento visa a realização de
audiência para debater a isenção de laudêmio de terrenos de marinha,
solicitando a presença de representante do Ministério da Economia, da
Secretaria do Patrimônio da União – SPU (ligado ao Ministério da Economia) e da
Casa Civil.
A justificativa é
de que a partir do mês de julho, os proprietários e ocupantes aforados dos
terrenos de marinha — instituídos durante o Reinado de Dom João IV e
estabelecidos como terras da união, cujo uso deve ser taxado pela cessão de bem
público, uma delas o pagamento de laudêmio —
poderão adquirir as propriedades por meio da Proposta de Manifestação de
Aquisição (PMA). Considerando esta mudança, o parlamentar considera necessário
a exposição dos impactos financeiros e orçamentários à União por parte do Poder
Executivo, para o conhecimento da comissão e também para a população.
Evair de Melo
explicou a importância do requerimento. “Toda mudança deve ser de total
conhecimento público, principalmente as que trarão impactos econômicos à União.
Por isso, solicito um debate técnico e eficaz, para que todos nós tenhamos
total ciência dos resultados desta mudança”, afirmou.
O presidente Jair
Bolsonaro anunciou no dia 10 de junho, durante a solenidade de anúncios do
Ministério do Turismo: Sistema de Avaliação de Impacto ao Patrimônio; Portal de
Investimentos e Guia Brasileiro de Sinalização Turística, que a Secretaria do
Patrimônio da Economia visava a isenção de Laudêmio. No mesmo dia, Evair de
Melo publicou em suas redes sociais sobre o feito, explicando do que se trata.
“O laudêmio, na
verdade, não é um imposto, e sim um valor cobrado sobre transações que envolvem
imóveis em áreas pertencentes à União. Exemplos de imóveis dessa natureza são
os que ocupam a faixa de litoral a até 33 metros da linha da maré alta. Anunciado
pelo Presidente Jair Bolsonaro em poucos dias 600 mil imóveis no Brasil
deixarão de pagar o laudêmio. Isso beneficiará muitos capixabas que sofrem com
essa aberração brasileira”, declarou
o parlamentar.
O que é o Laudêmio?
Comumente chamado
de imposto, o laudêmio é, na verdade, um valor cobrado sobre transações que
envolvem imóveis em áreas pertencentes à União. Um exemplo de imóveis desta
natureza são os terrenos de marinha, localizados entre a linha imaginária da
média das marés e 33 metros para o interior do continente.
A definição destas
áreas é de responsabilidade do Serviço de Patrimônio da União (SPU). Esses
locais são originalmente propriedade da União devido a importância estratégica para a população,
como a garantia de acesso ao mar e ao litoral. Segundo dados da SPU divulgados
pela Câmara dos Deputados, no ano de 2018 cerca de 500 mil imóveis
classificados como terrenos de marinha existiam no país.
Desta forma, é
comum que imóveis litorâneos enquadrados pelo Serviço de Patrimônio da União só
possam ser transferidos para um comprador após o pagamento do laudêmio. O
pagamento é realizado em taxa única a cada transferência da propriedade, e, sem
ela, a escritura que formaliza a operação não pode ser registrada em cartório.