EVAIR DE MELO PROPÕE RECADASTRAMENTO DE BENEFICIÁRIOS DO AUXÍLIO BRASIL E REDUÇÃO NO VALOR DA PEC

O deputado defende revisão no número de beneficiários, pois cadastro do programa foi feito em momento de pandemia

Em entrevista ao vivo, em rede nacional, pelo Jornal da Manhã, na Jovem Pan News, o vice-líder do Governo na Câmara, deputado Evair de Melo, afirmou que é preciso rever o valor de PEC da Transição e reconsiderar os números do Auxílio Brasil. O parlamentar explicou que o cadastro atual dos beneficiários do programa foi feito no calor da pandemia de Covid-19, num período de restrições aos setores produtivos, de aumento do desemprego e de guerra. “Hoje, o cenário econômico e social é diferente e o número de pessoas que realmente precisam receber o auxílio é bem menor do que antes. Por isso, os gastos do governo com o programa, em 2023, também deverão ser menores. E em razão desta lógica, defendo a revisão do valor dessa PEC”, disse.

Segundo Evair, a PEC vai gerar inflação e perda de poder aquisitivo do salário mínimo, pois não existe nenhum projeto, nenhum programa pronto para orientar esses gastos e o presidente eleito esteve ausente do debate desde o início. “São 198 bilhões de reais acima do teto de gastos. Este valor é exorbitante. Por trás dessa conversa bonita sobre assistência social, esse governo ilegítimo quer mesmo é ter um talão de cheque em branco para o presidente cumprir suas promessas eleitorais e ‘gastar a rodo’ por quatro anos, sem se preocupar com o impacto financeiro negativo deste rombo nas contas públicas e nem com o caos fiscal que será criado no país. Isso é uma grande irresponsabilidade”.

OPOSIÇÃO


Evair prevê um futuro difícil para o Governo Lula na Câmara porque os deputados vão endurecer o debate. De acordo com ele, com o atual texto, dificilmente a PEC da Transição será aprovada, por isso houve uma manobra regimental vergonhosa para iniciar a tramitação da proposta pelo Senado, onde precisará de 49 votos para a aprovação.

“Na Câmara há mais questionamentos e divergências de opiniões, além de discussões mais amplas. E se a Casa alterar o texto aprovado pelo Senado, a matéria retorna ao Senado com o texto original. Ou seja, essa é uma manobra estratégica vergonhosa que anula completamente a participação dos deputados e atropela a Câmara, no debate, para que eles coloquem no texto desta PEC o que eles bem quiserem. Essa proposta dará a Lula o direito de gastar quase 200 bilhões de reais sem, no entanto, informar a origem desses recursos; sem indicar de onde será retirado todo este dinheiro; e sem apresentar um relatório mínimo de impacto financeiro e o orçamentário dessa arbitrariedade”, afirmou o parlamentar capixaba que lidera articulação de um grupo suprapartidário de oposição ao próximo governo, na Câmara. 

Durante a entrevista, foi lembrado que se esta PEC tivesse sido proposta pelo Governo Bolsonaro, haveria uma intensa mobilização nacional liderada pela esquerda, acusando a manobra de golpista. Em seguida, o deputado Evair de Melo pontuou em sua crítica à equipe de transição do governo eleito: “Eles falam em peça orçamentária, mas não têm ministro; falam em programas sociais, mas também não têm ministro; falam em um governo de quatro anos, mas não têm planejamento. Ora, o novo governo não sabe nem com quem vai trabalhar, mas já quer autorização para dar pedaladas fiscais e fazer farra com dinheiro público. Isso, sim, é golpismo”, ressaltou.