Nesta quarta-feira (16), às 10h, o deputado federal Evair de Melo, vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, promoverá mais uma reunião por videoconferência sobre a crise dos fertilizantes, com a participação de autoridades do Governo e representantes do agronegócio capixaba. A primeira foi com a ministra da Agricultura Teresa Cristina e esta segunda, será com Luis Rangel, diretor de programa da Secretaria-Executiva do Ministério da Agricultura, que vai detalhar as estratégias do Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), para reduzir a dependência do Brasil das importações dos produtos e insumos.
Durante a videoconferência, também serão repassadas mais informações sobre as ações do PNF que foram planejadas pelo Ministério da Agricultura e outros nove ministérios que trabalharam de forma integrada no enfrentamento dos gargalos logísticos que ameaçam as importações de fertilizantes e, ainda, sobre os esforços empreendidos na busca de alternativas para garantir a realização de operações financeiras internacionais.
PARTICIPANTES - A exemplo da primeira videoconferência, a reunião virtual do deputado Evair, nesta quarta-feira, também contará com a presença de vários representantes de entidades, cooperativas, associações e empresas do setor, que atuam ativamente na agricultura capixaba, tais como: BRAPEX (Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Papaya); INCAPER (Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural); CEDAGRO (Centro de Desenvolvimento do Agronegócio); COOCAFÉ (Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Lajinha/MG).
Também participarão da reunião, dirigentes da COOPEAVI (Cooperativa Agropecuária Centro-Serrana); CCCV (Centro do Comércio de Café de Vitória); COOABRIEL (Cooperativa Agrária de Cafeicultores de São Gabriel); OCB/ES e OCB Nacional (Organização das Cooperativas do Brasil); SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) e, ainda, Associação Cacau; Sindicato VNI; UNIAVES, CACAU, SELITA; HERINGER; SICREDI SUL/ES e AGRICULTURA FORTE.
DISCUSSÕES - “Diante do quadro de expectativa e incerteza que domina o mercado internacional, nossa meta é apontar soluções que possam reduzir os impactos econômicos, no agronegócio brasileiro, devido ao conflito entre Rússia e Ucrânia. Já discutimos o assunto com todos os segmentos e entidades do setor e o Governo está adotando medidas de curto, médio e longo prazos, para garantir um pouco de tranquilidade aos produtores brasileiros”, disse Evair, que é vice-líder do Governo na Câmara.
PNF - Na sexta-feira passada (11), o Governo Federal lançou o Plano Nacional de Fertilizantes, que apresenta ações destinadas ao setor e ao desenvolvimento do agronegócio nacional, para os próximos 28 anos, com foco nos principais elos da cadeia produtiva: indústria tradicional, produtores rurais, cadeias emergentes, novas tecnologias, uso de insumos minerais, inovação e sustentabilidade ambiental. O documento também institui o Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas, órgão consultivo e deliberativo que coordena e acompanha a implementação do Plano Nacional de Fertilizantes.
“O PNF busca readequar o equilíbrio entre a produção nacional e a importação ao atender sua crescente demanda por produtos e tecnologias de fertilizantes. Pretende-se diminuir a dependência de importações, em 2050, de 85% para 45%, mesmo que dobre a demanda por fertilizantes”, informa Evair de Melo.
OBJETIVOS - A implantação das ações do PNF poderá minimizar a dependência externa desses nutrientes, que chegam ao país principalmente da Rússia, da China, do Canadá, do Marrocos e da Bielorússia. Estados Unidos, Catar, Israel, Egito e Alemanha completam a lista dos dez maiores exportadores de fertilizantes para o Brasil em 2021, de acordo com dados do Ministério da Economia.
IMPORTAÇÕES - Segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos, mais de 85% dos fertilizantes utilizados no país são importados, evidenciando um elevado nível de dependência de importações em um mercado dominado por poucos fornecedores. Essa dependência crescente deixa a economia brasileira, fortemente apoiada no agronegócio, vulnerável às oscilações do mercado internacional de fertilizantes.
Atualmente, o Brasil ocupa a 4ª posição mundial com cerca de 8% do consumo global de fertilizantes, sendo o potássio o principal nutriente utilizado pelos produtores nacionais (38%). Na sequência, aparecem o fósforo com 33% do consumo total de fertilizantes, e o nitrogênio, com 29%. Juntos, formam a sigla NPK, tão utilizada no meio rural. Dentre as culturas que mais demandam o uso de fertilizantes estão a soja, o milho e a cana-de-açúcar, somando mais de 73% do consumo nacional.
AUTONOMIA – O deputado Evair de Melo afirma que não se trata de o país alcançar a autossuficiência com o PNF, mas sim, de se ter maior autonomia, com um percentual reduzido de dependência externa para o fornecimento dos fertilizantes aos produtores. Segundo ele, é preciso reforçar a “diplomacia dos fertilizantes”, expandindo as relações de compra desses nutrientes em escala global.
"Nossa demanda por nutrientes para as plantas é proporcional à grandeza de nossa agricultura. Mas teremos nossa dependência externa bastante reduzida com PNF e vamos aumentar nossa capacidade de superar desafios e manter nossa maior riqueza: o agronegócio pujante e competitivo, que faz a segurança alimentar do Brasil e do mundo. Então, volto a destacar que o Plano não é apenas para reagir a uma crise, mas para tratar de um problema estrutural, de longo prazo”, apontou o deputado federal Evair de Melo.