Segurança hídrica foi o tema
do Seminário Internacional do Novo Marco Hídrico realizado na Câmara dos
Deputados, nesta quarta-feira (09). Assim como o Ministro do Desenvolvimento
Regional, Rogério Marinho, o deputado Evair de Melo (PP-ES), vice-líder do Governo
na Câmara, defendeu o Novo Marco e falou de sua importância para todo o Brasil.
Durante o seminário, o projeto
do Governo Federal que institui o Novo Marco Legal dos Recursos Hídricos no
Brasil (PL 4546/21), foi apresentado e amplamente discutido pelos participantes
do evento. A proposta, elaborada pelo Ministério do Desenvolvimento Regional,
foi enviada à Câmara em dezembro do ano passado e aguarda votação.
O projeto dispõe sobre a “Política
Nacional de Infraestrutura Hídrica”, que prevê instrumentos capazes de
possibilitar a gestão integrada das bacias hidrográficas do país e a
participação da iniciativa privada na construção e exploração dos recursos
hídricos. Hoje, estes serviços são, majoritariamente, custeados com recursos
públicos.
Para o deputado Evair de Melo
(PP-ES), o projeto complementa a Lei nº 14.026/20, aprovada pelo Congresso
Nacional em 2020, que trata do Marco Legal do Saneamento Básico e resgata o
papel estratégico dos recursos hídricos no desenvolvimento do Brasil.
“A cada dia, percebemos mais e
mais, que ao longo da história, a infraestrutura brasileira não levou em
consideração, em suas fases de expansão, o percurso e o circuito natural das
nossas águas, assim como seu uso”, disse Melo. Ele afirmou que a proposta
beneficia todo o país, sobretudo no Semiárido, que vai dispor de instrumentos
para gerir as suas águas.
A questão do Semiárido também
foi destacada pelo deputado General Girão (União-RN), coordenador da Frente
Parlamentar Mista em Prol do Semiárido. Para ele, as ações de infraestrutura e
de governança previstas no Novo Marco Legal, são uma oportunidade para a
região, que poderá ter um melhor gerenciamento das suas bacias, para alavancar
sua produção agrícola.
“Além de termos o sol e o
solo, temos boas condições logísticas para escoar a produção de alimentos e
incluir sua comercialização nos maiores mercados consumidores do mundo”, afirmou
Girão.
O Ministro do Desenvolvimento
Regional, Rogério Marinho, afirmou que a proposta apresentada à Câmara é
moderna e indutora de investimentos para o setor. Ele disse, ainda, que o texto
da matéria garante segurança hídrica, principalmente nas regiões que mais
sofrem com as estiagens e a falta de água.
“Chegou a hora de modernizar
essa legislação e de trazê-la para o tempo presente, permitindo que outros
atores se associem a este desafio, que não é só do Brasil, mas do mundo inteiro”,
disse Marinho.
A estimativa do governo é de que
o setor hídrico demande investimentos de R$ 40 bilhões até 2050, em projetos de
construção de barragens, canais e adutoras. O ministro afirmou que o setor
público não consegue, sozinho, suportar essa demanda, razão pela qual o pais
precisará de recursos da iniciativa privada.
Fonte: Agência Câmara de Notícias
“Garantir saneamento Básico e segurança hídrica é nossa
obrigação, é levar dignidade aos brasileiros”
“Temos que introduzir e
fortalecer os instrumentos da Política Nacional de Recursos Hídricos, para
melhorar a qualidade da gestão das águas e garantir maior segurança hídrica em
todo o Brasil, principalmente em época de seca e nas regiões com maior escassez
de água”. Esta declaração é do vice-líder do Governo na Câmara, deputado Evair
de Melo (PP-ES), que participará, como palestrante, do seminário internacional
sobre o Novo Marco Hídrico no Brasil. O evento acontece às 9 horas desta
sexta-feira (09), no Auditório Nereu Ramos, na Câmara, sob a coordenação do
Ministério do Desenvolvimento Regional.
De acordo com Evair, o panorama
atual exige que o Poder Público encontre alternativas para garantir que as
ações de infraestrutura hídrica e de gerenciamento dos recursos hídricos,
tão necessárias à segurança hídrica nacional, sejam expandidas e aprimoradas no
Brasil. Nesse sentido, o Marco Hídrico –
Projeto de Lei nº 4546/2021 – estrutura uma política nacional para
aprimorar os investimentos públicos e alavancar e direcionar os investimentos
privados em infraestrutura hídrica, bem como reconhecer os serviços
públicos prestados por elas, para o estabelecimento de um modelo de
sustentabilidade econômica e financeira.
O deputado Evair já
discutiu amplamente este assunto, em caráter prioritário, junto à comissão
especial criada para estudar e debater os efeitos da crise hídrica no Brasil
(CEHIDRIC). Após identificar os fatores que concorrem para agravar a escassez
de água em várias regiões do país, ele teve a iniciativa de criar e presidir a
Frente Parlamentar Mista da Água, e também de intensificar seus esforços na
comissão de análise da PEC 039/07, que inclui a água como Direito Social no
Brasil.
Evair de Melo defende
ações governamentais e mais investimentos da iniciativa privada, para ampliar o acesso à água pela população,
aprimorar a atuação dos órgãos gestores e garantir água para o consumo e a
produção: “Para cada R$ 1 investido no aumento da segurança hídrica, estima-se que R$ 15 são gerados em benefícios
econômicos. Por isso, a expectativa é que o setor hídrico brasileiro demande
investimentos de R$ 40 bilhões até 2050, o que não será viável apenas com
recursos públicos”, avalia.
Segundo
ele, o novo marco legal é fundamental para a segurança hídrica, já que a água é
o insumo mais precioso para fomentar o desenvolvimento econômico, social e
ambiental do Brasil. “No próximo dia 22 de
março, comemora-se o Dia Mundial da Água. Esta data nos leva a refletir ainda
mais sobre a importância deste recurso natural e sobre a necessidade de
debatermos e modernizarmos toda a regulação sobre este setor em nosso país”,
acrescentou.
O deputado também é
favorável à busca de modelos alternativos de sustentabilidade econômica e
financeira, para que os recursos destinados a investimentos e custeio de
projetos hídricos, no Brasil, sejam viabilizados e executados independente dos
orçamentos de esfera fiscal e de seguridade social.
ANÁLISE DA SITUAÇÃO NO PAÍS
O Brasil
vive um cenário de aumento da variabilidade climática e de intensificação no
registro de eventos hidrológicos extremos. O Painel Brasileiro de Mudanças
Climáticas indica que haverá redução na vazão de bacias hidrográficas no Norte
e no Nordeste, com sérios impactos sobre os diversos usos: abastecimento humano
e industrial, irrigação, produção de energia, serviços ecossistêmicos. O
sistema de gerenciamento da água atualmente ainda não está preparado para
enfrentar essas mudanças. Por isso, é fundamental aperfeiçoar o sistema de
gerenciamento integrado dos recursos hídricos, tanto do lado da oferta como dos
usos e da garantia de qualidade da água. Isso exige mais flexibilidade para
aplicação dos instrumentos de gerenciamento em épocas de estresse hídrico.
No
período de 2012 a 2017, a Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco e a Região
Semiárida registraram a pior seca de sua história. Os avanços na gestão de
recursos hídricos e as infraestruturas hídricas, além das políticas sociais,
foram as responsáveis pela não repetição de cenas e perdas de vidas humanas
como as registradas no passado. No entanto, as perdas econômicas decorrentes
desse evento foram elevadas e os municípios viram o valor de
sua produção agrícola registrar variações negativas superiores a 90% em
relação ao período do início da seca.
As
questões de insegurança hídrica não são exclusividade do Nordeste e Semiárido.
Vivenciamos uma situação hidrológica complexa na Bacia Hidrográfica do Rio
Paraná, impactando a geração de energia elétrica em escala nacional e levando
ao registro de racionamento no abastecimento de água em diversas cidades do
centro-sul do País. O Plano Nacional de Segurança Hídrica indicou que 60,9
milhões de pessoas (34% da população urbana em 2017) vivem em cidades com menor
garantia de abastecimento de água (risco de racionamento), e que R$ 228,4
bilhões de produção econômica nas atividades de indústria e agropecuária estão
em risco quanto à garantia de oferta de água. O Atlas de Desastres Naturais no
Brasil aponta os eventos de estiagem e seca, de enxurradas, inundações e
movimento de massa, todos relacionados a eventos hidrológicos, como
os mais frequentes e os que mais afetam os brasileiros.
LUTA PELO MARCO LEGAL DO SANEAMENTO
Ciente de que a gestão das águas está diretamente ligada à
área de saneamento básico e que o Brasil possui 57 milhões de residências sem acesso
à rede de esgoto, deixando 24 milhões de brasileiros sem água encanada em suas
residências, o deputado Evair
também presidiu a comissão da Câmara criada para analisar o Projeto de Lei
3261/19, que instituiu o Marco
Legal do Saneamento no Brasil, em 2020.
De acordo
com ele, somente 46% dos esgotos produzidos no país são tratados e quatro
milhões de brasileiros ainda não têm acesso nem a instalação sanitária. Segundo
ele, no Norte do Brasil, apenas 10,49% da população têm acesso à rede de
tratamento de esgoto.
Evair
destaca que, em 2018, foram registrados 2.180 óbitos relacionados a doenças
contraídas por veiculação hídrica e foram gastos R$ 90 milhões com internações
no SUS, provocadas por doenças de veiculação hídrica. Segundo o parlamentar, em
todo o país, 59% das escolas do ensino fundamental também não possuem rede de
esgoto e 14,3% das crianças e adolescentes brasileiros não têm acesso à água
tratada, o que contribui para agravar os problemas de saúde pública.
Para o
deputado, investir no tratamento de água e esgoto, na destinação adequada dos
resíduos sólidos e na drenagem e pavimentação de ruas, também é investir na
saúde e na prevenção de doenças.
INVESTIMENTOS DE R$ 700 BILHÕES
EM 10 ANOS
“O Marco
Legal do Saneamento possibilita parcerias entre o Poder Público e a iniciativa
privada, com o objetivo de garantir mais de R$ 700 bilhões em investimentos, ao
longo dos próximos 10 anos, na realização de obras de saneamento básico e no
tratamento das redes de esgoto. Este processo também poderá ajudar a reduzir a
mortalidade infantil, a melhorar a qualidade de vida e a produtividade da
população, além de aumentar a proficiência na educação”, disse o deputado.
Evair de
Melo é um dos parlamentares mais atuantes na luta pelo Novo Marco Regulatório
do Saneamento Básico e do Novo Marco Hídrico no Brasil. Ele continua trabalhando pela preservação dos
mananciais hídricos do Brasil – e também pela economia, uso consciente e
reutilização da água –, por se tratar de um recurso natural que é fonte de vida
para os seres humanos, os animais e as plantas, além de ser essencial para a
agropecuária, a indústria, o turismo e todas as atividades produtivas.