Na manhã da última terça-feira (19), o vice-líder do Governo na Câmara, deputado Evair de Melo, realizou a quinta rodada de debates sobre a crise mundial dos fertilizantes e as medidas adotadas pelo Governo Federal para minorar os impactos negativos do conflito entre Rússia e Ucrânia no agronegócio brasileiro. Desta vez, o convidado para discutir o assunto foi o presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Celso Moretti, que apontou a Caravana FertBrasil como principal ação de curto e médio prazos do Plano Nacional de Fertilizantes, para reduzir a dependência externa do país por importação de produtos e tecnologias.
Segundo Moretti, a Caravana FertBrasil tem papel estratégico para ajudar o agronegócio brasileiro – responsável por 27,4% do PIB Nacional – a enfrentar esta crise internacional fazendo um uso otimizado de fertilizantes. “Se nossos produtores reduzirem o uso de fertilizantes em pelo menos 10%, o setor agropecuário nacional vai economizar mais de US$ 1 bilhão em importações de insumos agrícolas na próxima safra. É com esta missão que a Caravana FertBrasil percorrerá 48 polos produtivos em mais de 40 cidades de dez macrorregiões brasileiras, promovendo o aumento da eficiência do uso dos fertilizantes e insumos e estimulando a adoção de novas tecnologias e boas práticas de manejo de solo, água e plantas”, informou.
De acordo com o planejamento feito pela Embrapa, a Caravana seguirá as épocas de plantio de cada poloprodutivo com a expectativa de beneficiar mais de 20 mil produtores, oferecendo capacitação digital e conhecimento sobre novas tecnologias e novas técnicas agronômicas, para reduzir o uso de fertilizantes no país. “As visitas técnicas da caravana contarão com cerca de 10 mil profissionais do setor e terão impacto em mais de 70 milhões de hectares de áreas agrícolas no Brasil, onde 80% das 6 milhões de propriedades rurais existentes pertencem a pequenos e médios produtores, que não possuem conhecimento e nem tecnologia para reduzir o uso de fertilizantes”, disse.
O presidente da Embrapa também citou dados do Comexmostrando que no período de 2000 a 2020, o Brasil aumentou em 300% as importações de fertilizantes e reduziu em 30% a produção nacional de nutrientes para as lavouras. “Nosso desafio é reverter este quadro até 2050, por meio das ações do Plano Nacional de Fertilizantes (PNF). Só no ano passado, o Brasil utilizou 44 milhões de toneladas de fertilizantes na produção de alimentos, mas 85% desses produtos foram importados, o que significa algo em torno de 37 e 38 milhões de toneladas”, lamentou ele.
PRIORIDADES
Em sua participação na videoconferência promovida pelo deputado Evair de Melo, Celso Moretti fez uma apresentação técnica do Plano Nacional de Fertilizantes (PNF) e defendeu algumas prioridades, tais como: o uso de fertilizantes agrominerais, a realização de mais pesquisas sobre bioinsumos, remineralizadores e subprodutos com potencial agrícola, e a agricultura de precisão, que define a quantidade exata de adubo a ser utilizada em cada tipo de solo e de lavoura. Ele ressaltou, também, que o Brasil está reinjetando 60% do gás retirado da extração de petróleo para produzir ureia e amônia e que a Vale e a Petrobras precisam voltar a investir na produção de nitrogenados.
A necessidade de o Brasil captar mais investimentos para a modernização, reativação e ampliação de plantas industriais voltadas à retomada da produção nacional de fertilizantes foi outro ponto abordado pelo presidente da Embrapa, durante a reunião virtual. Ele também explicou que os principais pilares do Plano Nacional de Fertilizantes envolvem ferramentas para o planejamento agrícola (onde e quando plantar?); boas práticas agronômicas para o uso eficiente de fertilizantes; novas tecnologias para garantir suprimento nutricional eficiente para as lavouras; soluções digitais para refinar cuidados com as variações das lavouras; e tecnologias sustentáveis de manejo agrícola.
REMINERALIZAÇÃO
Já em resposta ao questionamento feito pelo superintendente do Centro de Desenvolvimento Tecnológico do Café, o engenheiro agrônomo Frederico Daher – sobre a eficácia do uso de resíduos minerais produzidos pelo setor de mármores e granitos, para reduzir a necessidade de fertilizantes –, o presidente da Embrapa respondeu que a agricultura é movida pela ciência e que a ciência ainda não avançou nas pesquisas sobre os remineralizadores de solo.
“Enquanto as pesquisas nesta área não forem intensificadas, não teremos segurança técnica para afirmar quais são os melhores tipos de rochas, qual a concentração ideal de remineralizadores para cada tipo de solo e como acontece a retenção de água no solo, após a sua remineralização”, pontuou Moretti.
Por fim, ele admitiu a possibilidade de incluir a região Norte do Espírito Santo no roteiro de visitas das equipes técnicas da Caravana FertBrasil e solicitou ao deputado Evair de Melo que apresente uma proposta com sugestões de locais a serem visitados, na região Norte, para avaliação da Embrapa. “O Norte do Espírito Santo é muito rico, principalmente em fruticultura e na produção de café. Por isso, vamos tentar incluir os polos produtivos do Norte capixaba na agenda de visitas da Caravana FertBrasil. Isso é bem plausível, considerando que o Estado foi o que mais aumentou o consumo de fertilizantes nas lavouras, em todo o país”, disse Celso Moretti.
CICLO DE DEBATES
A exemplo do que aconteceu anteriormente, a videoconferência realizada pelo deputado Evair de Melonesta terça-feira reuniu dezenas de representantes de entidades produtivas, associações, cooperativas, e empresas do agronegócio do Espírito Santo, tais como:Brapex, Cedagro, Coopeavi, CCCV, CCETCAF, Agricultura Forte, Cooabriel, OCB/ES, Uniaves, Senar, Cacal, Incaper, Associação Cacau, Heringer, FAES Cachoeiro, Casa do Adubo, Cafeicultor, FAES, Pinheiros, Solo Fértil, Comissão de Agricultura, Café Calvi Jaguaré e Secretaria de Agricultura de Pedro Canário.
A iniciativa faz parte de um ciclo de debates sobre fertilizantes, que Evair vem promovendo e que já contou com a participação da ex-ministra da Agricultura, Tereza Cristina; do Diretor de Projetos do MAPA, Luis Rangel; do Diretor de Geologia e Recursos Minerais do Serviço Geológico do Brasil (SGB), Márcio José Remédio, além de Celso Moretti, presidente da Embrapa.