As obras de restauração do Santuário
Nacional São José de Anchieta seguem a todo vapor. O projeto, iniciado em junho
de 2018, será um ganho imensurável para a história religiosa do Espírito Santo
e está na reta final, com conclusão prevista para 2021.
A intervenção contempla a Igreja Nossa
Senhora da Assunção, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional (Iphan) em 1943, além de áreas pertencentes à antiga moradia dos
jesuítas. A primeira fase da obra incluiu uma série de obras para ampliar a
acessibilidade às pessoas com dificuldade de locomoção, como banheiros
adaptados, sinalização em braile, rampas e plataformas elevatórias para que o
público tenha acesso à Cela de São José de Anchieta e às salas do museu.
Além disso, a etapa inicial da
restauração contemplou também projetos para a organização do acervo museológico
e investimentos em iluminação, climatização, comunicação, sonorização e
restauro de peças. Para a manutenção e sustentabilidade econômica do museu, o
projeto inclui a construção de uma loja e um café para atender aos fiéis e
peregrinos.
Já na segunda fase, que está na reta
final, serão executados o restauro da Igreja, a montagem da sala de
documentação e estudos e o paisagismo cultural na área do entorno do Santuário.
Evair de Melo, deputado federal e
vice-líder do governo na Câmara, tem atuado efetivamente na articulação
política para a liberação de recursos para a obra. Para o parlamentar, o
projeto é uma ação essencial, que preserva a história capixaba e valoriza a fé.
“Conhecendo a história, podemos programar o futuro. Ter acesso a um monumento
histórico desta importância e, mais ainda, poder preservá-lo, é motivo de muita
honra para mim. Uma parte da história do Brasil está aqui. Não medirei esforços
para que essa obra seja finalizada com excelência, com o devido respeito e
reconhecimento que este lugar merece”, afirma.
Em
meio à restauração, uma descoberta
O Santuário José de Anchieta é um
patrimônio histórico, e, mais uma vez,
semostrou como um local cheio de memórias. No mês de março, arqueólogos
e restauradores encontraram ossadas de 80 fiéis inumados entre os anos de 1918
e 1920 — período em que a gripe espanhola devastou o Brasil. A descoberta
ocorreu enquanto realizavam buscas no solo do Santuário.
De acordo com a análise dos pesquisadores
envolvidos, a presença dos conjuntos de ossos no subsolo do Santuário ocorreu
em decorrência do alto número de mortos em um curto espaço de tempo,
dificultando a realização de enterros e levando a igreja a ser usada como um
local para empilhar os corpos das vítimas, de maneira totalmente improvisada.
Segundo o laudo de exumação, as primeiras
ossadas foram encontradas a cerca de um metro abaixo do piso da construção,
trituradas e amontoadas. Ainda segundo o documento, esses indícios indicam a
prática de compactação do solo para a abertura de novas covas. Os corpos, sem
lápides, urnas funerárias ou qualquer forma de registro, são de pessoas
humildes que viviam na região.
Durante a pandemia da gripe espanhola, o
Santuário não estava sob a administração dos Jesuítas. Segundo os
pesquisadores, isso explica a falta de registros oficiais e nomes das vítimas
por parte da Igreja. Além das ossadas foram encontrados também vestígios do
estilo de vida da comunidade na época, incluindo restos de roupas, botões de
plásticos, cacos de vidro, abotoaduras, entre outras peças.
A descoberta realizada no Santuário
possui uma triste semelhança com a dura realidade que o mundo enfrenta. “É uma
situação histórica semelhante ao que o Brasil e o mundo vivem hoje. Uma outra
pandemia que ceifou milhares de vidas, mas foi vencida. Hoje, temos uma arma
contra o novo vírus que enfrentamos. Resgatar essa triste parte da nossa
história é um incentivo para continuarmos lutando pelo fim da pandemia e a
vacinação em massa”, destaca o deputado federal Evair de Melo.