O Senado aprovou nesta quarta-feira (18) o PL 1.208/2021,
projeto de lei que prevê incentivo fiscal — dedução no Imposto de Renda — para
empresas que doarem recursos para pesquisas sobre covid-19. Como foi alterado
no Senado, o texto retornará para a Câmara dos Deputados, onde teve origem,
para nova análise.
O autor da proposta, que cria o Programa Prioritário
Pró-Pesquisa Covid-19, é o deputado federal Carlos Jordy (PSL-RJ). No Senado, o
relator da matéria foi Izalci Lucas (PSDB-DF).
— O projeto contribui para alavancar os recursos destinados
às pesquisas científicas e tecnológicas para mitigar os efeitos da crise do
coronavírus — afirmou o senador.
De acordo com o projeto, poderão participar do programa as
empresas tributadas com base no lucro real, regime adotado pelas grandes
empresas (com faturamento superior a R$ 78 milhões). Essas empresas poderão
deduzir do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) o mesmo valor da doação até
o limite de 30% do imposto devido, sem excluir outras deduções legais. Caso a
empresa seja da área de saúde ou de medicamentos, o limite será de 50% do
imposto devido.
Mudanças
Izalci informou que foram apresentadas 10 emendas no Senado,
das quais ele acatou quatro. A senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP) teve suas duas
sugestões acatadas. Uma delas isenta de quaisquer impostos as importações de
bens destinados à pesquisa científica e tecnológica relacionados ao Programa
Prioritário Pró-Pesquisa Covid-19. A outra estabelece a adoção de um regime
simplificado de importações de insumos para a pesquisa.
O senador Weverton (PDT-MA) também teve uma emenda acatada,
na qual prevê que o programa deve se estender até 2023 (a previsão inicial era
que o programa durasse até 2022). A outra emenda acatada, do senador Jean
Paul Prates (PT-RN), prevê que os recursos de emenda de relator do ano de 2021
poderão ser destinados ao financiamento de pesquisas relacionadas à mitigação
dos efeitos da covid-19.
Izalci excluiu do texto a previsão de que a coordenadora do
programa deveria submeter proposta de projeto em conjunto com instituição
científica e tecnológica credenciada. Ele argumentou que outro artigo do texto
estabelece que a execução dos projetos deverá ser
realizada exclusivamente por instituições de ciência e tecnologia
(ICTs) credenciadas perante o Ministério da Ciência, Tecnologia e
Inovações.
Elogios
O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho
(MDB-PE), afirmou que a proposta é meritória, mas questionou a previsão que há
no texto sobre os percentuais de elevação das alíquotas do Cofins e do PIS/Pasep
(que teriam o objetivo de compensar as deduções incentivadas pelo programa).
Bezerra declarou que o governo vai procurar uma solução para a questão quando a
matéria voltar a ser discutida na Câmara dos Deputados.
Para a senadora Soraya Thronicke (PSL-MS), o projeto é de
extrema importância para a ciência, que é “o vetor de desenvolvimento” de um
país. O senador Wellington Fagundes (PL-MT) também elogiou a aprovação do
projeto. Ele disse que o país já tem condições de desenvolver sua própria
vacina.
— O Brasil tem a necessidade de investir mais em ciência e
desenvolvimento — concluiu
Fonte: Agência Senado